E se…

…Oiticica estivesse no Project Runway? Imagine ele trabalhando no ateliê com os outros estilistas quando o Tim chegasse, desgostoso com o que tinha visto.

– E você, Hélio? O quê é isso?

– Esse é o parangolé. Já está finalizado.

– Hum, não estou certo…

– Parece estranho agora, mas espere só a modelo vestir.

Tim solta um suspiro e fala “Ok, make it work”. Depois do desfile os jurados horrorizados começam as perguntas:

– Hélio, o que foi isso?

– Isso foi a desmaterialização tátil viva pela participação do espectador, Heidi.

– Hã?

– É uma anti-arte que quer criar uma nova condição experimental onde o artista, no caso eu, toma o papel do educador.

– Mas o desafio foi criar um vestido de noite com materiais recicláveis.

– Noite ou dia, não há diferença. O importante do conceito foi fazer uma remissão às favelas cariocas demonstrando as complexas texturas do duelo de classes, expondo minha sensibilidade política às custas do atrativo estético.

– Oh… kay.

E Oiticica seria desclassificado naquele primeiro programa, contrariado.

 

Nostalgia

Ah, agora eu sei onde foi parar a calota de fusca que meu pai perdeu em 83. Virou maquete para o Museu Nacional.

Note o arame que prendia ela à roda.

 

Take wrong turns. Talk to strangers. Open unmarked doors. And if you see a group of people in a field, go find out what they’re doing. Do things without always knowing how they’ll turn out. (…) You’re curious and smart and bored, and all you see is the choice between working hard and slacking off. There are so many adventures that you miss because you’re waiting to think of a plan. To find them, look for tiny interesting choices. And remember that you are always making up the future as you go.

xkcd