Mas afinal…

…o que dá para fazer com cinquenta reais dum vale-cultura? Talvez seja uma tentativa torpe do Governo de socialização em uma comunidade. As pessoas de um vilarejo podem se reunir para dividir o valor de um ingresso do Cirque du Soleil e mandar o Joãozinho com a mãe para o espetáculo, já que ele viu Billy Elliot e agora fica pulando pelas ruas do povoado socando os barracos e gritando “Sou um cisne, um cisne!”, e uma viagem do menino a São Paulo ao menos daria alguma tranquilidade aos moradores.

Pretensioso sim, que que tem?

Você tem que ser pretensioso. Todos os grandes são pretensiosos. Pretensão é bom, deixa o cara se dedicar à música que pretende ser a melhor de sua vida. Ou ao desenho que vai revolucionar os desenhos. Na pior das hipóteses ele não consegue nada disso e ganha experiência.

É comum para artistas ou esportistas ou qualquer pessoa mais dedicada ser um pouquinho só pretensiosa. Da Vinci era o mais pretensioso de todos, estudou muito e criou várias máquinas que revolucionariam o mundo se fossem construídas. Pena que sofria de déficit de atenção e abandonava os projetos pela metade, mas enfim. Lance Armstrong é um ciclista que ficou quatro anos sem competir e voltou a pedalar querendo ganhar de cara a Volta da França. Não conseguiu, mas chegou perto.

Acho que foi Kerouac que disse algo como “aqueles que querem mudar o mundo são aqueles que o mudam”. É um bom modo de se viver, achar que pode mudar o mundo. Faz você acordar mais disposto pela manhã e a se dedicar com mais felicidade ao trabalho. E acho que quem não é pretensioso não tem objetivo na vida, pensa que o que faz está bom demais e desdenha do maluco que passa quatro horas por dia em cima de uma mesa de desenho treinando o sombreado em vez de assistir o Domingão.

Então é isso, seja pretensioso. É bom para a pele e fortalece os folículos capilares.

Tatsutenkpenkpúgui!

Sei que me acho o ápice do cool hoje, mas quando tiver filhos com certeza as coisas que gosto vão ser encaradas com aquele típico desdém adolescente. Vão olhar para um Francis Bacon e dizer “Pô, que palha”.

Por isso vou aprender a jogar os novos jogos para embaraçá-los de propósito. Quando eles estiverem reunidos com os amiguinhos jogando Street Fighter XVIII, vou participar gritando gírias de antigamente.

– Olha só o chocão. Pimba! Viu só?

– Pô, pai, cê me mata de vergonha…

 



“Para com isso e devolve o motor do carro!”, disse Angela. Jeff, feliz da vida com o projeto, não ligou. “Isso é ciência, mulher!”