Idéia para uma pegadinha

Montar uma loja no shopping ou em alguma área nobre com o nome de “Centro de Beleza e Estética Van Eyck”, com portas de vidro translúcidas. Ao entrarem, as senhoras e metrossexuais farão um muxoxo desapontados, pois verão apenas algumas mesas, estantes com livros de Walter Benjamin e Umberto Eco e uma escrivaninha com um senhor de monóculo lecionando sobre a Bauhaus.

Tatsutenkpenkpúgui!

Sei que me acho o ápice do cool hoje, mas quando tiver filhos com certeza as coisas que gosto vão ser encaradas com aquele típico desdém adolescente. Vão olhar para um Francis Bacon e dizer “Pô, que palha”.

Por isso vou aprender a jogar os novos jogos para embaraçá-los de propósito. Quando eles estiverem reunidos com os amiguinhos jogando Street Fighter XVIII, vou participar gritando gírias de antigamente.

– Olha só o chocão. Pimba! Viu só?

– Pô, pai, cê me mata de vergonha…

 

A conexão Bacon-Bacon

Um espertinho descobriu o novo Código Da Vinci nas pinturas de Francis Bacon. O segredo escondido dentro de suas imagens é na verdade… bacon.
Saiba mais aqui.

 

Dois artistas cinéticos

Theo Jansen, um alemão que faz criaturas movidas a vento com tubos e garrafas de plástico. A visão deles em uma praia deve ser umas das melhores experiências da vida, são impressionantes. O site do artista está aqui, e neste link há um vídeo para sua apresentação na conferência TED. No YouTube há uma série de vídeos com as criaturas em funcionamento.

Reuben Margolin é um norte-americano fascinado por ondas. Suas esculturas usam madeira, metal e outros materiais para recriar movimentos da natureza em trabalhos muitos delicados. Seu site está aqui, e no BoingBoing há um vídeo com suas obras.

”(…) as pessoas não são tão vaidosas de sua personalidade quanto de sua obra. Elas, acho eu, estranhamente se sentem menos obrigadas para com a personalidade, achando que podem trabalhá-la e mudá-la, enquanto com a obra, depois de vir a público… Bem, nada mais pode ser feito. Sempre quis encontrar um pintor com quem realmente eu pudesse conversar… alguém com qualidades e com um tipo de sensibilidade em que eu realmente acreditasse, uma pessoa que espedaçasse meus quadros, mas com um julgamento em que eu acreditasse de verdade (…) Acho que seria maravilhoso ter alguém que me dissesse faça isso, faça aquilo, não faça isso, não faça aquilo! E que ainda por cima me dissesse por quê. Seria uma grande ajuda.”

Francis Bacon

 

Sobre a inerente superioridade das artes visuais

Tenho certeza que vários já pensaram nisso, e não tenho medo de apontar a pintura, a escultura e o desenho como formas superiores e mais humanas de arte, pelo simples fato de todas respeitarem a individualidade do espectador. Você vê quando quer, e basta um virar de rosto para apagar a visão daquela pintura brega de um cavalo no pasto.

Já a música não respeita barreiras: ela destroça pessoas com a mesma facilidade que as empolga. Não adianta, aquele axé vai encontrar um caminho da caixa de som ao seu ouvido atravessando o ar, dois andares, as janelas, a parede, a porta, o travesseiro e o tampão de borracha que você tenta desesperadamente interpor na busca do silêncio.

Do mesmo modo o cinema, a televisão e a videoarte. Por precisarem do som para funcionar (nem tanto para a videoarte) ficam tão más quanto a música, e muito mais cruéis nas mãos de pessoas (e uso essa palavra com certa liberdade poética) que precisam mostrar o novo suporte do meio: um Home Theater/Microsystem da Aiwa/Pioneer/CCE/Sharp com 300 GigaWatts de potência. Essas criaturas pegaram a idéia do “se não sabe fazer bem, faça grande” e deram um novo sentido a ela.

A superioridade social da pintura é óbvia. Muitos já gritaram “Abaixo o som aí, ô”. Ninguém jamais disse “larga esse pincel aí, ô, tenho que trabalhar amanhã”. Imagine pessoas se contorcendo na cama porque o vizinho aplicou pela terceira vez o filtro Clouds do Photoshop. Pessoas na biblioteca irritadas porque a atendente acabou de comprar uma tela abstrata vendida no shopping por cem reais e deixou ela no carro. Olhos de visitas sangrando porque elas entraram na sala e viram aquele poster do Salvador Dali sobre o sofá. Não acontece, não acontece.