reflexões

A Continental GT 650 da Royal Enfield é uma custom que faz curva

Para explicar melhor: sabe aquelas Harleys 883 que algumas oficinas pegam para customizar e transformar em cafe racers? Estou falando dessa moto aqui:

Iron 883

Que depois de muitas semanas ou até meses de trabalho em alterações e adaptações fazem ela virar isso aqui:

Iron 883, pós cirurgia

Pois é. A Continental GT 650 é como se fizessem isso, mas de fábrica:

Essa é a minha, vulgo Elsa

A Royal Enfield aí da foto sai da concessionária por pouco mais de 27 mil zero km, menos se mudar a cor e tirar os acessórios. Comparado com o preço só da Iron, que vai pra mais de 40 mil pelada, a moto da Royal Enfield sai bem mais em conta para quem curte o visual cafe racer. Olha que maravilha, você pode ter o mesmo desconforto causado pelas vibrações do motor, e sofrer com a falta de potência, por menos da metade do preço!

Yep, você leu certo. Uma coisa que a GT não tem é potência, mesmo sendo uma 650. Aliás, quando falo que ela é uma custom que faz curva, é porque ela é isso mesmo. O motor me lembra demais o da Dragstar 650 que eu tive: bom torque em baixas rotações, e nenhuma final – ela pega no máximo 160 km/h em terreno plano. Aliás, ela roda bem melhor em baixas rotações, ficando entre 2 e 3 mil, e batendo nas 3 mil RPM já a 80 km/h na sexta marcha.

Tem também duas outras coisas que fazem dela muito parecida com minha antiga custom. A primeira é o fato do motor ser refrigerado a ar e óleo. Ou seja, ela esquenta, e o bafo vem sempre que você para em algum sinal, acompanhado daquele leve perfume de óleo de motor.

A segunda são as vibrações. Não chega a ser tão ruim quanto uma Harley, mas existem, e depois de meia hora as mão começam a ficar dormentes. Uma forma que encontrei de amenizar o problema foi colocar aquela fita de guidão de bicicleta nas manoplas. O visual ficou legal, e ela absorve uma boa parte da tremedeira. Mesmo assim, para passeios mais longos vale parar a cada 30 ou 40 minutos para esticar o corpo e fazer o sangue circular de novo nos dedos.

Então… É uma moto ruim considerando tudo? Nope. Não mesmo, se você entender o que ela é e o que ela não é. Ela não é uma moto esportiva, não foi feita para grandes velocidades nem para competir com as naked quatro cilindros da família japonesa (Honda/Suzuki/Kawasaki/Yamaha). Também não tem grandes avanços tecnológicos como controle de tração ou modos de pilotagem.

Mas o que ela é, ela é muito bem. Ela é uma moto custom (ou cruiser como chamam lá fora), mas uma moto custom prática. O entre-eixos curto e os pedais elevados dão uma agilidade que as Harleys da vida não tem. A segurança que ela passa ao entrar numa curva é incrível, e a suspensão passa por cima de buracos como se não houvesse nada ali. Já o motor, apesar de fraco se comparado com as naked japonesas, bebe pouco e faz entre 26 a 30 km/L. Em tempos de gasolina a 6 reais o litro, como não amar isso?

E caramba, olha pra ela:

Olha!

Além de ser ótima de pilotar ela é linda. É o tipo de moto que agrada na reta, agrada nas curvas, e quando você desce dela ainda precisa dar uma olhada pra trás e curtir o visual. Vocês podem até gostar de moto parecida com jet ski, mas eu sou um véio paia que gosta de moto com cara de moto, e nisso a GT ganha de todas as outras.

Agora dá licença que o céu tá limpo aqui na Asa Sul e eu preciso ir no fim do Lago Norte comprar pão.