Sobre a inerente superioridade das artes visuais

Tenho certeza que vários já pensaram nisso, e não tenho medo de apontar a pintura, a escultura e o desenho como formas superiores e mais humanas de arte, pelo simples fato de todas respeitarem a individualidade do espectador. Você vê quando quer, e basta um virar de rosto para apagar a visão daquela pintura brega de um cavalo no pasto.

Já a música não respeita barreiras: ela destroça pessoas com a mesma facilidade que as empolga. Não adianta, aquele axé vai encontrar um caminho da caixa de som ao seu ouvido atravessando o ar, dois andares, as janelas, a parede, a porta, o travesseiro e o tampão de borracha que você tenta desesperadamente interpor na busca do silêncio.

Do mesmo modo o cinema, a televisão e a videoarte. Por precisarem do som para funcionar (nem tanto para a videoarte) ficam tão más quanto a música, e muito mais cruéis nas mãos de pessoas (e uso essa palavra com certa liberdade poética) que precisam mostrar o novo suporte do meio: um Home Theater/Microsystem da Aiwa/Pioneer/CCE/Sharp com 300 GigaWatts de potência. Essas criaturas pegaram a idéia do “se não sabe fazer bem, faça grande” e deram um novo sentido a ela.

A superioridade social da pintura é óbvia. Muito já gritaram “Abaixo o som aí, ô”. Ninguém jamais disse “larga esse pincel aí, ô, tenho que trabalhar amanhã”. Imagine pessoas se contorcendo na cama porque o vizinho aplicou pela terceira vez o filtro Clouds do Photoshop. Pessoas na biblioteca irritadas porque a atendente acabou de comprar uma tela abstrata vendida no shopping por cem reais e deixou ela no carro. Olhos de visitas sangrando porque elas entraram na sala e viram aquele poster do Salvador Dali sobre o sofá. Não acontece, não acontece.

Large Hadron Collider, explicado

O LHC foi ligado em algum dia de agosto desse ano, e hoje começaram a circular os feixes pelo anel principal. As partículas devem ficar acelerando ali até meados de outubro, quando atingirão 99% da velocidade da luz, e serão colocados em rota de colisão dia 21 daquele mês. O que vai acontecer depois? É isso que todos querem saber.

Enquanto o fim do mundo não chega, o PHD Comics começou uma ótima série sobre a visita do autor ao acelerador de partículas que explica bem o que é tudo isso e o que os cientistas esperam.

EDIT: Vazou hélio do sistema de refrigeração e precisaram desligar o LHC. Até março ou abril de 2009. Isso sim é anti-climax.

Idéias rejeitadas para séries de televisão

O jovem Cthulhu! Recém chegado na vizinhança, o pequeno senhor do mal tenta se adaptar à nova escola mas é rejeitado por seus coleguinhas, que não entendem sua aparência. Entristecido, Cthulu arranja uns parceiros por intimidação e sacrifica seus detratores na hora do lanche ao som de gangsta rap.

Dia de artista

É horrível quando isso acontece. Você está na rua, no banheiro ou no carro e de repente tem uma epifania. Um momento onde as idéias que você ruminava se conectam e tudo passa a fazer sentido. O resultado seria um belo texto para a posteridade, onde suas conclusões geniais poderiam ser divulgadas e discutidas. E você se prepara para fazer conexões impensáveis do renascimento com a teoria da relatividade e a crise do pós-moderno, e pensa porque aquele copo está ali se eu tinha acabado de deixar ele na pia? Ah, é porque tinha tomado suco, que manchou o rascunho… mas criou uma textura interessante. Cadê a gueixa que eu comecei a desenhar? Aqui, essa cor combina bem com o que eu quero fazer no vestido. Xi, acabou a tinta. Vou sair para comprar assim que acabar de ver esse e-mail. Ah, Homem de Ferro estreou hoje!

(corre para o cinema)

Cara, o Robert Downey Jr. é o Tony Stark mesmo. Hum… estou com a sensação de ter esquecido alguma coisa.

Painting is always strongest when in spite of composition, color, etc., it appears as a fact, or an inevitability, as opposed to a souvenir or arrangement.

Robert Rauschenberg